quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Era diferença de todos seus dias, era aquela rede, aquela bem vermelha, viva, com quadradinhos verdes e contorno preto, aquela da época de sua vó, aquela mais bonita de todas tecida há anos , porém com um cheirinho de conforto.
A única diferença do dia dela era aquela rede, era jogar-se nela a noite , se recolher em seus retalhos e encontrar um novo mundo nela, perceber que ali era o lugar mais quente que um abraço, um lugar mais cheiroso do que a própria casa, tão cruel quanto a própria dor era não se deitar na rede antes de durmir.
E toda noite se balançando na rede velha, subindo e descendo como se estivesse voando, como se pudesse sair daquela casa com apenas aqueles balançares, como se pudesse se esquecer de toda a dor que a rodiava.
Estava lá, novamente, se balançando tão profundamente que nem viu o cigarro queimar a mão, nem reparou no apagar das luzes, nem muito menos que já havia se perdido. Nem ao menos reparou que a xícara estava com a" asa" quebrada. Mais uma vez ela estava alí, e assim que sempre deveria ser.
Ela voava como uma criança apesar dos seus 15 anos, deveria estar ali para seu divertimento, é o que eu diria, mas a verdade é que ninguém conseguiu decifrar o motivo de toda noite ela estar lá, como se fosse um fantasma procurando o céu, uma hora com os pés no chão e outra com eles no ar.
Nem eu saberia o porque de tantos voos, porém no fundo de seu coração ela sabia, talvez nem percebesse e isso já fosse automático, mas a verdade era que ali ela se perdia, e encontrava a melhor fuga para sua idade, encontrava o céu e a terra dentro de segundos, e quem sabe conseguia até ver sua avó na janela quando estava com os pés fora do chão.
Alí ela podia fechar os olhos sem que achassem que ela estivesse morta, ali ela podia ser criança, ser pássaro, ser guia, poderia ser poeira, poderia voar. Sentia o vento bagunçar seus cabelos e a emoção enchia seu corpo de sensações, e lá era o infinito, e lá era o tudo, e lá era a fuga.
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