terça-feira, 29 de setembro de 2009
Ela tentou novamente e respirou bem fundo, ela tentou sentir novamente. Correu então pela chuva, deixou a aguá cair dos pés a cabeça. Tomou em mãos uma taça de vinho tinto seco, parecia tão vivo, ela queria viver, derramou sobre o corpo, e bebeu o restante da garrafa. Levantou-se rápido e foi arrumar suas quinquilharias, mas não tinha vida. Tentou então entrar de roupa no chuveiro, sair rolando pelo chão cheio de terra, conversar com os amigos sem se dopar, tentou , tentou , tentou e não conseguia, ela também tentou olhar a menina da rede, tentou ser a menina da rede, mas não conseguiu.
Se sentia assim, vazia e quebrada como o mundo. Se sentia arrependida de ser quem ela era, e de ser ela mesma já que as pessoas a julgavam tão mal por ser assim sincera, e não ter papas na lingua. Talvez ela tenha sido sincera demais, e ninguém estava preparado para isto. Sem saber o que pensar, nem o que dizer, ela preferia se calar neste momento, ela não falaria mais nada, pois suas palavras já haviam se perdido.
Ela buscava aquilo que todo mundo joga fora, aquilo que todo mundo deixa escorrer entre os dedos das mãos, ela buscava aquilo que escorria e ria, aquilo que todo velório sempre busca, mas nunca encontra , nem ao menos resposta. Ela queria renascer, voltar no tempo, deixar de ser cinza, ela buscou a vida por toda vida, e não encontrava. Ela buscou em albuns de fotografia, no relógio, em sua antiga escola, ela buscou vida dentro dela, e até nas vidas alheias. Mas ela fracassou, e se deu por vencida. Porém seu extinto de sobrevivência sempre a forçava a tentar encontrar.
Ela perdeu, anunciou nos jornais, na internet, nos teleféricos, ônibus e lugares públicos, mas ninguém viu, ninguém ouvia e nem queria. E a história termina aqui, antes que se perca também.
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