quarta-feira, 23 de março de 2011

O menino se encolheu e deitou caladinho no meio do seu grande vazio. Sentiu-se pressionado por sua própria mente, sentiu que foi perdendo o controle sobre seu próprio corpo, aos poucos, sentiu que não era mais dono de si.

O menino se encolheu e deitou caladinho no meio do seu grande vazio. Sentiu seus pés frios. Sentiu uma grande dor de cabeça. Quis se esconder mas se encolher não adiantava mais.

O menino se encolheu e deitou caladinho no meio do seu grande vazio. E calou o grito de desespero que quase saiu. Manteve-se quieto, ninguém deveria ouví-lo porque era assim seu destino.


Era apenas mais um minuto de silêncio, era só mais um menino encolhido.

sábado, 19 de março de 2011

"Quanto lixo nesses bueiros!", exclamou uma menina de mãos dadas com sua mãe andando pela chuva com água até os joelhos. A mãe de pernas tortas e rosto sofrido nada falou, os olhos desviou e com convicção murmurou, isso é culpa do governo. A menina suspirou, abaixou o olhar e continuou a andar. A água continuou a preencher a cidade, elas continuaram com os joelhos molhados e o lixo continuou ali.
O tímido sol saí para ver o mundo com uma privilegiada visão panorâmica de toda podridão do homem.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Vou tentar nestas simples palavras não me deixar influenciar pelos teus olhos tão brilhantes, teu sorriso, teu coração que me calma.
 Vou tentar nestas simples palavras não me deixar influenciar por teus beijos, teus abraços, teus amassos.
 Tentarei descrever seus milhares de carinhos, centenas de afagos, dezenas de flores e infinitos: "eu te amo."
 Sem me cansar posso descrever tuas milhares de expressões faciais, detalhando o que cada uma delas significa. Posso abraçar-te  incansavelmente a cada minuto e sentir o mesmo carinho do nosso primeiro abraço.
 Sem me cansar posso gritar o quanto te amo em um lago, no mar e no campo.
Sem me cansar posso olhar em teus olhos e dizer como seria imensa a saudade que ocuparia o vazio de sua ausência em minha vida.

terça-feira, 15 de março de 2011

Como são tolos os corações, como é simples enganá-los um a um. Como é fácil reatar e terminar relacionamentos que outrora foram intensos quando a apatia toma conta de seu ser

Mas como é fácil também se perder nessas mentiras, nessa sensação de tormento, nessa grande apatia, nessa grande frigidez.

Como torna-se fácil não te ouvir quando estou concentrada nos cortes de minhas mãos. Se pisasse em meus pés agora? Nem sentirira. Se amaldiçoasse-me  aos quatro ventos?  Nem me mexeria, nem se puxasse meu coração e meus cabelos longos, também nao sentiria, não sinto nada e nada me sente. Então por favor não me culpe.
Ando pelas esquinas sufocando-me com a fumaça dos motores, ando por ai sem olhar para cima, nem para os rostos que passam por mim, ando devagar sem saber porque, ando devagar, ando por onde nem ao menos sei o nome, ando... apenas ando.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Rótulos deixados pelas palavras, psicose, minha psicose. Minha coceira, minha maniera, minha inquietação,  inquietação, meu palavrão, meu desconforto e de qualquer maneira minha culpa.

Ansiedade que me consome de dentro para fora, domina minha mente e minha fisiologia. Necessidades do meu frágil ser e desse corpo dócil se confundem em um só estado, ansiedade.

Me engole, me cospe, me saceia, me inquieta, me dopa.